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Bossa Nossa

Publicado em 31/07/2012

www.idavicenzia.blogspot.com.br

publicado em 19 de maio de 2012

Interessante observar o trabalho coreográfico dos grupos de dança cariocas. A coreógrafa Regina Sauer, por exemplo, desde 1981 vem trabalhando com Dança Moderna e desenvolvendo uma pesquisa voltada para a cultura brasileira. Com o "Nós da Dança" (nome sugestivo, o da Companhia, com suas diversas interpretações, inclusive a do universo da linguagem corporal e seus "nós", metafísicos e físicos! da vida do bailarino), Regina se aproxima das escolas de Alvin Ailey e Martha Graham, cuja experiência absorveu, em Nova Iorque. A "pitada nacional" fica por conta da adaptação a uma linguagem particular. Quem acompanhou a trajetória de Regina desde "Rio in Concert", seu primeiro espetáculo, em 1981, pode testemunhar essa preocupação da coreógrafa e bailarina. 
     O último a que assisti, "Bossa Nossa" (2012), com música e letra de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, é a fórmula perfeita para a atual linguagem de Regina: suavidade e poesia. Ficamos com a sensação de que a suavidade da coreógrafa assinala um hiato entre as agitadas coreografias de "Tchelolloco", de seu espetáculo "Ensaio Aberto", de 1992, por exemplo, e sua procura atual. 
     O cenário de "Bossa Nossa" é luz em foco sobre o fundo negro do cenário (desenho da luz de Luis Fernando Filetto), em contraste com os leves figurinos brancos, ou de cenas praieiras (de Marcos Rogerio), dando um clima romântico ao espetáculo. A seleção das músicas é de Danilo D'Avila. Produção Flavia Hargraeves e Helena Sauer. Direção e coreografia de Regina Sauer. O violão em cena é de Danilo D'Ávila, acompanhando a voz de Munique Mattos. A concepção é agradável de ver e ouvir. Regina, que  parece moldar seus bailarinos para o cenário internacional (eles ganham o mundo, segundo a coreógrafa), tem o prazer de constatar que a grande maioria deles se mantém fiel, como é o caso de Patrícia Ruel, Stella Maris, Adriana Salomão, Alan Rezende, e tantos outros, alguns há mais de vinte anos na Companhia.   
     Podemos dizer que "Bossa Nossa" é um "recital", em homenagem a Tom e Vinícius. Ele se inicia com o grupo de bailarinos sentado em volta do violonista e da cantora, entoando baixinho as músicas propostas por Danilo, como Águas de março, Felicidade, Insensatez, e tantas outras. A platéia a tudo assiste e tem-se a impressão de que aquele momento é uma pausa nas questões do dia a dia, da política, dos problemas, para dedicar um momento à poesia e ao amor. No início do espetáculo, a bela voz de Munique, acompanhada do violão de Danilo, sublinha os diversos aspectos do sentimento amoroso e, pouco a pouco, os bailarinos se manifestam, em sua própria linguagem, desenhando passos de dança nas frases da música, como se estivessem improvisando. À princípio eles se revezam, para colocar-se, novamente, na posição inicial, sentados no chão; novamente em círculo, como se estivessem na sala de sua casa, ouvindo música com os amigos. É algo muito especial. No som do espetáculo, a voz de Elias Regina, Tom Jobim, Nara Leão, e o próprio Vinícius, vão cantando os sucessos da bossa nova. Entre os que assistem ao espetáculo, uma sensação de paz, e um gostinho de quero mais. 

Interessante observar o trabalho coreográfico dos grupos de dança cariocas. A coreógrafa Regina Sauer, por exemplo, desde 1981 vem trabalhando com Dança Moderna e desenvolvendo uma pesquisa voltada para a cultura brasileira. Com o "Nós da Dança" (nome sugestivo, o da Companhia, com suas diversas interpretações, inclusive a do universo da linguagem corporal e seus "nós", metafísicos e físicos! da vida do bailarino), Regina se aproxima das escolas de Alvin Ailey e Martha Graham, cuja experiência absorveu, em Nova Iorque. A "pitada nacional" fica por conta da adaptação a uma linguagem particular. Quem acompanhou a trajetória de Regina desde "Rio in Concert", seu primeiro espetáculo, em 1981, pode testemunhar essa preocupação da coreógrafa e bailarina.      O último a que assisti, "Bossa Nossa" (2012), com música e letra de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, é a fórmula perfeita para a atual linguagem de Regina: suavidade e poesia. Ficamos com a sensação de que a suavidade da coreógrafa assinala um hiato entre as agitadas coreografias de "Tchelolloco", de seu espetáculo "Ensaio Aberto", de 1992, por exemplo, e sua procura atual.      O cenário de "Bossa Nossa" é luz em foco sobre o fundo negro do cenário (desenho da luz de Luis Fernando Filetto), em contraste com os leves figurinos brancos, ou de cenas praieiras (de Marcos Rogerio), dando um clima romântico ao espetáculo. A seleção das músicas é de Danilo D'Avila. Produção Flavia Hargraeves e Helena Sauer. Direção e coreografia de Regina Sauer. O violão em cena é de Danilo D'Ávila, acompanhando a voz de Munique Mattos. A concepção é agradável de ver e ouvir. Regina, que  parece moldar seus bailarinos para o cenário internacional (eles ganham o mundo, segundo a coreógrafa), tem o prazer de constatar que a grande maioria deles se mantém fiel, como é o caso de Patrícia Ruel, Stella Maris, Adriana Salomão, Alan Rezende, e tantos outros, alguns há mais de vinte anos na Companhia.        Podemos dizer que "Bossa Nossa" é um "recital", em homenagem a Tom e Vinícius. Ele se inicia com o grupo de bailarinos sentado em volta do violonista e da cantora, entoando baixinho as músicas propostas por Danilo, como Águas de março, Felicidade, Insensatez, e tantas outras. A platéia a tudo assiste e tem-se a impressão de que aquele momento é uma pausa nas questões do dia a dia, da política, dos problemas, para dedicar um momento à poesia e ao amor. No início do espetáculo, a bela voz de Munique, acompanhada do violão de Danilo, sublinha os diversos aspectos do sentimento amoroso e, pouco a pouco, os bailarinos se manifestam, em sua própria linguagem, desenhando passos de dança nas frases da música, como se estivessem improvisando. À princípio eles se revezam, para colocar-se, novamente, na posição inicial, sentados no chão; novamente em círculo, como se estivessem na sala de sua casa, ouvindo música com os amigos. É algo muito especial. No som do espetáculo, a voz de Elias Regina, Tom Jobim, Nara Leão, e o próprio Vinícius, vão cantando os sucessos da bossa nova. Entre os que assistem ao espetáculo, uma sensação de paz, e um gostinho de quero mais. 

Ida Vicenzia - Critica de Teatro e Dança

      

Companhia Nós na Dança no espetáculo "Bossa Nossa", canções de Vinicius e Tom (foto de Margarida Castro)

 

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